sábado, 24 de dezembro de 2016

Adeus, Catarina

Adeus, Catarina
Tu já não podes ser
Eras parte de um sonho
Um sonho de vir a ter
Futuro com certo alguém
Que já não sei mais quem
É
E foi
Foi-se embora
E levou tu, Catarina
Antes ainda de ser menina
Antes ainda de tu nascer
E não foi só tu
Que foi embora, Catarina
Mas uma vida que se esboçou
Parecia até uma sina
Que agora acabou?
Vê sentido, Catarina?
Não, eu também não
Porque em minha mente
Tu eras doce
E agora és solidão
Amarga de repente
A boca de pensar
Nos versos de Bandeira
A vida inteira
Que podia ter sido
E que não foi
Digo adeus
E sigo em frente
Não por escolha
Mas necessidade imposta
Que verdadeira bosta
Que é desvincular
A quebra repentina
A dor que desatina
Voa feito folha
Tudo o que
Um dia
Foi rocha
Esmiuçou feito areia
E o vento levou
Sem pedir
E em pleno tempo
De ceia
Digo adeus
Ao que já foi
Ao que podia ser
À vida inteira
Que não é
Mais a mesma
Em que tu vivia
Pobre menina
Mal sabia
Que um dia
Eu teria de dizer:
Adeus, Catarina.

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